Rubedo - Uma performance criada e dançada em Ouro Preto, em 2005, com Alejandro Portela.







'Rubedo' foi desenvolvida junto ao músico Alejandro Portela, durante sua rápida estada, assim como a minha, pela cidade de Ouro Preto, em fins de 2004 e início de 2005.
Encontrávamo-nos, algumas vezes por semana, entre sala da casa onde eu estava hospedada e a da escola de uns amigos de lá, 'Centro de Artes Variação'.
Nos conhecemos na estréia do internacional 'Tropeço', da Cia TatoCênica .
Nos juntamos por muita vontade de desenvolver alguma obra e pela afinidade temática, que nos descobrimos ter então.
Ele tinha uma série de músicas, que transitavam por paisagens anímicas semelhantes às que eu estava querendo dançar.
Pessoalmente, eu sentia um peso de viver, que poderia ser diagnosticado como um estado depressivo.
E, sincronicamente, eu havia encontrado um mapa, desenvolvido por uma linhagem de alquimistas, que falava da Obra em Negro, da Obra em Branco e da Obra em Vermelho.(Nigredo, Albedo e Rubedo).
Este mapa dá indicações sobre o luto ou morte de um processo, seguido pela idealização do próximo, e o amadurecimento ou florecimento na Rubedo, quando a alma e o corpo se encontram novamente e re-adquirem a cor da vida: Vermelho.
Trabalhamos assim: Selecionei e ordenei as músicas que ele tocaria.
Ele se posicionava e a gente começava.
Havia a intenção de que os meus improvisos se transformassem em passos ordenados, como uma coreografia tradicional, apesar da movimentação não seguir passos de dança tradicional.
Acredito que, pela temática e até mais pela vulnerabilidade emocional em que eu me encontrava, cada dança tinha o gosto do mistério de adentrar e percorrer este mapa.
A coreografia ou limite expressivo era o mapa. A interpretação era ser fiel ao espírito e desapegar dos momentos brilhantes, para permitir os próximos.
Ensaiamos por uns 2 meses. Apresentamos umas 2 vezes para fotografar e filmar, com o intuito de ter isto registrado, para poder vender esta peça.
Por fim, ficou a experiência maravilhosa deste fiel e sincero compartilhar e algumas fotos como estas que aqui estão.
Cabe dizer que, aqui, ele já não estava mais executando suas músicas, mas improvisando junto comigo, segundo uma ou duas imagens que a gente combinava antes de começar.
Maravilhosa e rara a cumplicidade que criamos neste trabalho.
Saudades de Alejandro também, intérprete e compositor argentino criado no Uruguai.